de uma época vintage,
de Coco Chanel e espatilhos,
de corte simples e sutis,
de inglesas badaladas,
nos piqueniques burgueses,
de Charriot à Avignon,
— alguém me explique a diferença —,
de Riviera na lua de mel,
ou resort nas férias,
que há uma aventureira,
em cada esquina,
com seu charme e retoque,
com seu vestido, sua meia-taça,
sua mini-saia, seu poder,
seu trunfo e sua fraqueza. :
Eis que alguém diz,
onde ela está?,
onde foi?
Cadê ela?
A heroína da revista,
dos palcos, das vitrines;
preciso tanto do seu corpo,
da sua autoestima.
O que andas a procurar,
personagem enigmática
de mágoas e lutas?
Eis que alguém diz:
nesta tarde onde o sol,
há de nos apanhar,
em algum dia de um ano,
timbrado em uma nota,
uma cena de uma epopeia,
“eu quero me fazer diva,
lembrada até,
no final dos tempos,
dançarei como Josephine Baker,
integrarei na Resistência,
e lutaria por alguma causa;
falarei de amantes,
deitados na praia,
e reclamaria de suas pretensões,
o que há rapazes?,
não me podem ter,
todos de uma vez.;
quero ser de um,
a cada dia da semana,
e ter sábado e domingo,
apenas para mim”.
Eis que alguém diz:
Isso é para mim?
Não precisava o incômodo,
tulipas são minhas preferidas.
Dê-me cá um abraço;
vêm folgadão...
você não diz que estou assim...
sempre tristonha,
mas agora lhe pergunto.
cadê meus chocolates?
Eis que alguém diz:
sabe, a moda é francesa,
mon amour, cherri, oui...
ouço sempre falar isso,
se há charme, não vou negar,
mas não precisa de afetação.
A França é tão longe,
e nós tão pertos...
Quero te mostrar algo,
não faça perguntas;
feche os olhos.
E aí, como estou?
Você poderia sair assim...,
Escondendo seu corpo,
E atinando charme,
com esses olhos de odalisca,
travessos e atinados;
diria aos homens,
você não sabe o que tenho,
embaixo destes panos,
atreva-se a tirar...;
eu morreria de inveja,
expulsaria a todos,
enfeitiçados infelizes.
Com o véu preso,
em seus cabelos,
não posso dizer
que a vontade,
é de arrancá-los,
como todo o resto,
só para descobrir,
que também, eu,
sou um dos enfeitiçados.