Rimas, falsetes e falseados e palavras que se confundem, se afastam e se juntam numa estrofe ou estribilho de um par de coisas ou coisa alguma

Poetas dos trópicos

Poetas dos velhos,
os trópicos batem a sua porta,
sua sala de jantar,
que de simples e modesta,
estão mortas,
e vivas em algum pomar,
de um jardim oriental,
de nome paradisíaco e floral

Esquisitas linhas em círculos,
confinadas estão ao tempo,
que um transparente aquário
vire lodo e limbo.

E aquele jardim abissal,
de uma propaganda surreal,
onde os caminhos não terminam
nem mesmo os que levam até lá;

Algo de intermitente
é o que os velhos chamam,
e em um dia acabará,
para que curiosos o vejam brotar.

Mas, ali estava depositada a janta.
A sala era de convivas:
fúnebres, nevrálgicos e excêntricos,
reunidos a esperar o prato principal.

Então, o poeta entra,
e os espelhos reluzem,
em olhos transparentes,
absortos e complacentes.

Querem às bocas gritar,
e o jubilo  extravasar,
o poeta estraçalhou o aguardado,
o prato do dia;
e enquanto os cacos a multiplicar,
contavam-se as vozes do infortúnio.

O personagem, o poeta, e tudo,
o mais que tudo faltara,
destruía enquanto as desgraças
transformavam-se em aplausos,
surdos e contagiantes.

Aquele fez seu quadro:
um prato, um assembleia,
um jardim e uma sala.
E nada disso era factual,
sentido nada havia.
O poeta dizia o quê,
e o por quê era absolutismo,
o prato não foi servido,
e o rei foi destronado;

A novidade estava aí,
em busca de motivos,
o poeta recitou a sua,
os poetas velhos,
do velho continente,
da velha língua,
da velha nostalgia.