Qual a imagem que toma?,
um pássaro?,
asas azuis que espreitam,
no céu, a casa pela janela,
que olhos amarelos sentinelas
vigiam os passos?
Dos que entram, entre as sombras,
haverá a imagem nos seus olhos,
a certeza de um caso,
o atroz momento de voar,
voar e atacar?
Vê-lo, não vejo, e vejo.
Ele me vê?
Na casa de janelas fechadas,
o vidro quebrado,
uma porta trancada,
um silêncio altivo e mordaz.
Sua permanência sisuda,
repousa em um vago cortejo,
asas fechadas,
e um frenético silêncio.
Que pássaros de asas azuis,
avista a noite e o dia,
com olhos amarelos sentinela,
como numa torre esguia?
Ele sabe o que vê,
na espera de algo
um momento oportuno
de avançar ou recuar
numa precisa sintonia.
No sono, no cheiro das penas,
repousam na epiderme
a índole da ave
de uma floresta sombria.
Seu gorjeio é o silêncio,
a firme convicção do momento,
que azul avança
desfigurado por uma mancha
de um soneto consonante.
Que pássaro de asas azuis
avança no ocaso sereno?
E seus olhos amarelo sentinela
saberá o que amedrontar?
Firme, é a espera do que acontece,
dois olhos, dois poços vazios,
uma carne sobre o alçapão
o fumo ardente de uma convulsão.
A ver o rosto incólume,
o espreito bico invade
a certeza fome de carne,
o estupor embrulhado
de um braço ou mão estirado.
Que pássaro de asas azuis
devora o morto que o criou?
E seus olhos amarelo sentinela
verá a vida que lá então tivera?
Rimas, falsetes e falseados e palavras que se confundem, se afastam e se juntam numa estrofe ou estribilho de um par de coisas ou coisa alguma