Rimas, falsetes e falseados e palavras que se confundem, se afastam e se juntam numa estrofe ou estribilho de um par de coisas ou coisa alguma

Pássaro noturno

Qual um cego feito pelo nome,
o latim de seu dito cujo assume,
nas cercanias noturnas da cidade,
olhos desideratos pela fortuna.

Por entre o breu, asas escuras
rastejam na terra, maculam os céus.
manchas aladas que perambulam
[em véus.
Platinadas formas movedouras,
que no sereno há de enegrece-las.

E, enquanto, os céus fechados trombeteiam
a vagem do errante sibila e desce,
quente como o inferno, ao tempo suplantam
o mascarado som dos ouvintes, e aquiesce
no domo que encobre a todos.

Da face o sentido suplica,
algo que corta os pelos escuros
de olhos vibrantes e sinistros
a alma da morte por ele que vaga
que engole o vento, os olhos e a carne.

Pássaro noturno, que a fornalha hás de fazer;
tornar-se nítido à imagem dos que te vêem,
que instante que seja por mais aturdido
ganhaste a fama dos que da noite vivem
e corroem os espíritos nos dias perdidos.